Thursday, April 13, 2006

Entrevista (Revista AMANHÃ, Brasil)

 

A revista brasileira AMANHÃ dedica o tema de capa do seu último número ao neuromarketing. O trabalho foi organizado pela jornalista Vanessa Souza que entrevistou recentemente o  nosso director. Na entrevista, a reporter destacou as questões relacionadas com a ética em neuromarketing. Pode conferir todo o trabalho clicando em

http://amanha.terra.com.br/edicoes/219/capa01.asp

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Wednesday, April 5, 2006

Dear Prof. Lima,
I just wanted to drop you a not to let you know that I read your blog today
and found it pretty interesting.
I hope we have an opportunity to discuss in the future. Best regards,

Olivier Oullier, Ph.D
Assistant professor
Human Neurobiology Laboratory
Université de Provence - CNRS
France

website:  
http://oullier.free.fr

(o professor Olivier Oullier dedica-se, entre outras actividades, a pesquisas sobre Neuroeconomia e Neuroética).

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Sunday, April 2, 2006

Investimentos, razão e emoção (Entrevista ao jornal SEMANÁRIO ECONÓMICO)

A jornalista Alexandra Brito, do Semanário Económico, pediu ao Doutor Nelson S Lima que respondesse a algumas questões pertinentes sobre as tomadas de decisão em investimentos. Eis as perguntas e respectivas respostas que aquele especialista deu e que podem ser de interesse para alguns dos visitantes desta página.

1. Normalmente, existe a ideia de que as decisões de investimento são tomadas sobretudo com base em critérios racionais. Na sua opinião, esta ideia é correcta? É possível ter uma noção de qual é o peso do lado emocional nas decisões de investimento? 

A forma como a mente humana funciona não permite uma racionalidade pura na tomada de decisões, mesmo as mais complexas e exigentes. Qualquer decisão é o resultado de uma série de etapas mentais, da intervenção de numerosos factores internos (biológicos) e externos (ambientais, etc) e da influência das emoções e dos sentimentos.  Os factores emocionais e sentimentais, conscientes ou não, representam, por si só, uma base indispensável para a racionalidade. Ou seja, a mente de uma pessoa normal não consegue tomar decisões lógicas e inteligentes sem que o sistema límbico (emocional) esteja presente, influenciando a rapidez, a convicção e a determinação na tomada de decisões. Neste capítulo, a intuição - que representa uma forma de conhecimento oculto e criativo com um papel fundamental no mundo dos negócios - é um bom exemplo do que acabo de afirmar: a intuição tem também uma origem neurológica e emocional. 

2. A economia divide os investidores em  três categorias: os conservadores, os equilibrados e os agressivos. O nível de risco e o potencial de rentabilidade são as duas grandes variáveis que determinam em que tipo de categoria o investidor se insere. Na sua opinião, que outros factores determinam a forma como uma pessoa decide fazer os seus investimentos? É possível estabelecer uma hierarquia desses factores?

Investir é, geralmente, uma actividade de risco na medida em que trabalha com cenários de futuro e, como tal, isso implica lidar com numerosos factores imprecisos, a ambiguidade e a imprevisibilidade. O nível de risco aumenta quanto maior for o número de ”actores” em jogo. Neste domínio, os factores de natureza pessoal que influenciam a forma como uma pessoa decide investir prendem-se sobretudo com a sua personalidade e a forma como a sua mente lida com a subjectividade e a incerteza. Factores biológicos (como o temperamento), psicológicos (como o estilo cognitivo) e culturais (como a educação) fazem com que cada investidor obedeça a um padrão de comportamento muito particular nas suas escolhas e tomadas de decisão. Existem pessoas que possuem uma potente intuição que sabem usar com invulgar talento enquanto outras, mais racionais e cautelosas, preferem basear as suas decisões naquilo que elas acreditam ser a razão pura. Entre uns e outros há uma infinidade de tipos de comportamento sendo que uns são bem sucedidos em certas situações e outros noutras. Acredito, porém, que o melhor investidor é aquele que possui, por um lado, um amplo “horizonte de tempo” mental (que lhe permite “ver” além do dia de hoje e usar adequadamente a sua “memória de futuro”), uma intuição bem treinada e um bom quociente de inteligência e impulso criativo. Geralmente, isto exprime-se através do chamado “controlo cognitivo”. O controlo cognitivo refere-se à forma como a pessoa percepciona o ambiente, elabora a informação, faz escolhas e reage (decide) aos estímulos ou às necessidades. Por exemplo, o investidor “dependente de campo” é cauteloso, muito sensível ao contexto e ao momento, influenciável e necessita de maior feedback social para agir. Já o “independente de campo”´tem uma forte motivação intrínseca, é pouco influenciado pelo contexto, possui uma inteligência prática muito flexível e é bastante intuitivo.

3. Uma pessoa pode ter características de diferentes perfis de investidores?

Sim, pode ter. É muito arriscado tentarmos dividirmos as pessoas em tipolo-gias específicas, como faz a psicologia tradicional. Compreendo que, às vezes, isso ajuda a compreendermos melhor os seus padrões de comportamento mas, na realidade, cada pessoa é o resultado de uma grande diversidade de elementos biológicos, psicológicos e culturais que fazem com que sejamos todos diferentes. Nas decisões de investimento, podemos encontrar padrões de comportamento diversos e isso deve-se sobretudo à forma como cada um reage a tudo quanto esteja em jogo, inclusivamente as suas motivações intrínsecas (que podem variar bastante de pessoa para pessoa mesmo entre aquelas que revelam padrões de comportamento similares).

4. Os investidores muito experientes também não estão imunes à influencia do emocional?

A reacção de cada pessoa às investidas das emoções varia muito conforme a sua natureza e o momento. Os investidores experientes adquiriram, obviamente, uma aprendizagem sólida sobre as melhores escolhas, os melhores momentos, os riscos em jogo e os erros. Lidam melhor com a ambiguidade e a indeterminação graças ao facto dos seus cérebros terem aprendido a conviver com diferentes situações e diferentes “apostas”. Neles desenvolve-se uma espécie de conhecimento oculto (não consciente) que alimenta abundantemente a sua memória de trabalho e lhes confere flashes intuitivos decisivos nas escolhas de alto risco. Geralmente estão menos expostos às reacções emocionais adversas mas não estão totalmente imunes a momentos de perturbação que podem prejudicar a leitura e a interpretação das situações e a tomada de decisões.

5. Na sua opinião, de que forma a neuroeconomia pode ajudar as pessoas na gestão dos seus investimentos?

A neuroeconomia é um campo de investigação novo mas que se apresenta muito promissor no que se refere ao estudo do comportamento das pessoas em tomadas de decisão que envolvam investimento, compra, venda, troca e outras actividades de natureza económica e financeira. A neuroeconomia recusa aceitar que as decisões no mundo dos negócios sejam pautadas apenas pelo pensamento racional e oferece instrumentos de análise mais precisos sobre a complexa rede de factores psicológicos (intuitivos, emocionais, etc) presentes nas decisões.

6. O que se passa no cérebro de uma pessoa quando ela tem de tomar uma decisão de investimento, como por exemplo, a compra ou venda de acções?

A acção de investir - seja em que for - representa um grande desafio para o cérebro porque põe em marcha uma série muito complexa de mecanismos e não apenas a racionalidade supostamente disponível no hemisfério esquerdo. Envolve pensar olhando para o futuro. Requer um tipo de pensamento estratégico que põe em marcha o “auto-governo” mental e mobiliza capacidades como a atenção, a memória de trabalho, a memória de futuro, o processamento da informação, a ponderação emocional, a intuição, a auto-motivação, a habilidade de se interrogar e a capacidade de iniciativa. Investir representa apostar num conjunto de escolhas secundárias feitas em série até à decisão definitiva. É um processo inteligente e criativo.

7. Existem momentos em que se deve evitar a tomada de decisões de investimento? (ex: alturas em que as pessoas estão muito stressadas ou deprimidas).

Sim. As decisões de investimento estão entre as mais delicadas que se podem tomar. É um exercício de inteligência pura (não exclusivamente racional) que é feito sobre um conjunto mais ou menos amplo de opções, incluindo a de não investir. É, por isso mesmo, um exercício que requer um estado de espírito sereno. O stress, o cansaço, os problemas de saúde, os estados sentimentais adversos (como o desânimo, a melancolia, a raiva, o ódio e o desprezo bem como a euforia e o excesso de auto-confiança) prejudicam o discernimento, a análise e o pensamento pelo que, se o investidor está num mau momento de forma, é de boa prudência não arriscar mesmo que esteja (erradamente) convencido que um determinado investimento possa parecer-lhe o melhor remédio para os males que o afectam. 

Nelson S Lima (director do I.I.)

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